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26 de janeiro de 2010

Ditadura dos Médicos

A Associação Académica da Universidade de Aveiro considera "estranhas" as críticas da Ordem dos Médicos e da Associação Nacional de Estudantes de Medicina ao novo curso de Medicina da Universidade de Aveiro.

AAUA acusa Ordem dos Médicos de privilegiar o prestígio da classe que representa em detrimento das necessidades reais do país. Reagindo às declarações do bastonário da OM, Pedro Nunes, que prevê, para daqui a alguns anos, a existência de médicos no desemprego, a AAUA, através do presidente Negesse Pina, "lembra que não há médicos suficientes em Portugal enquanto continuarem a existir cidadãos sem médico de família ou enquanto existirem Centros de Saúde fechados devido a férias e baixas dos clínicos como é noticiado no Verão e épocas festivas".

De igual modo, acrescenta a AAUA, "acreditamos que não há médicos suficientes em Portugal enquanto continuarem a existir pessoas a percorrer centenas de quilómetros para poderem ser vistas por um médico ou enquanto o país continuar a depender de médicos estrangeiros para suprir as suas necessidades".

A AAUA lamenta esta posição da OM, que transpira corporativismo. "O que está em causa é o receio da perda de prestígio por parte de uma classe acostumada a uma certa veneração", acusa Negesse Pina. "O que é lamentável é que, para assegurar esse prestígio, a OM se apoie em argumentos que não têm correspondência real na vida dos cidadãos", afirma.

A AAUA considera ainda que "grande parte dos problemas estruturais inerentes ao Serviço Nacional de Saúde, tais como a distribuição deficiente de médicos no território, as listas de espera para consultas de especialidade e cirurgias ou as dificuldades no atendimento vivido pelos utentes nos hospitais nacionais não poderão ser solucionados sem o número necessário de clínicos à disposição deste serviço".

Por isso, e ao contrário da OM e da ANEM, a AAUA não considera a decisão de criar um curso de Medicina "uma asneira" e desafia o bastonário a "identificar um país onde existam médicos no desemprego".

in JN

12 de dezembro de 2009

Lista M à A.A.U.T.A.D.

No seguimento do post anterior, "?", e para esclarecer os leitores, queria deixar explicito que não era minha intenção fazer referência às eleições na Associação Académica de Vila Real (A.A.U.T.A.D.), pelo menos antes de elas se realizarem. Contudo e após o meu amigo Chico trazer à baila essa questão sinto-me na obrigação de esclarecer os leitores.
A lista M candidata-se à associação Académica de Vila Real indo a votos, conjuntamente com mais duas listas, no próximo dia quinze. Não era minha intenção publicitar a lista M neste espaço, mas dada a situação publicarei aqui o manifesto da Lista à qual pertenço.


Manifesto
O estado actual do ensino superior está insustentável, as universidades estão em ruptura financeira, o governo desresponsabiliza-se pelo financiamento das mesmas e intensifica o processo de privatização. Empresários entram para os órgãos de gestão e os estudantes começam a perder presença. Os preços das cantinas e autocarros aumentam enquanto as bolsas começam a ser substituídas por empréstimos bancários. Basta de políticas do governo que premiam a má gestão dos banqueiros com milhões e estrangulam financeiramente as universidades.

A AAUTAD deve ser o representante dos estudantes, deve ser quem luta pelos nossos interesses a qualquer custo. Quando o ensino superior sofre ataques brutais como Bolonha, o RJIES e os cortes orçamentais, a posição da AAUTAD tem de ser rígida e em prol da defesa do ensino superior.

A luta pelos nossos direitos não se pode resumir a cartas e conversas com ministros. Temos de mostrar ao governo que temos uma palavra a dizer sobre o ensino e não nos calaremos na defesa do ensino público, universal, gratuito e democrático. A AAUTAD tem de ser o motor do movimento estudantil, tem de promover uma universidade que é muito mais do que um lugar de consumo, um centro de aquisição de saber por um preço. A Universidade pode e deve ser um local diferente, um local criador por excelência que está inserido num meio social. A intervenção cívica dos estudante na academia e na sociedade é fundamental para desempenhar o papel de sujeitos e não meros objectos na realidade.

Compreendemos que a formação cívica e humana dos estudantes passa, invariavelmente, por uma dialéctica entre os agentes da sociedade, urge assumir o nosso papel, não só na vida académica, mas também na vida da cidade, do país e muitas vezes do mundo. Os estudantes podem e devem dar o seu contributo, quer sob a forma de opinião crítica, quer em acções concretas, projectos e trabalho realizado. Repudiamos a progressiva privatização que se tem vindo a assistir no ensino e a falta de democracia que grassa na Universidade. Cada vez mais é difícil realizar um debate ou colocar uma simples faixa dentro das “paredes” do local onde estudamos. A reitoria tem tomado um papel activo neste processo seguindo o “bom” exemplo do governo. A liberdade de expressão tem vindo a ser sonegada constantemente aos estudantes e queremo-la de volta.

A vida académica passa, inegavelmente, por uma componente lúdica que complete a formação e experiência de vida e enriqueça culturalmente. Neste plano queremos travar a fraca oferta da actual Direcção, que tende a ser sempre menos. As actividades promovidas pela mesma carecem de diversidade e passam por ser apenas espaços de consumo. Pensamos que devemos promover mais a criação, apostar em espaços onde o estudante possa ter meios de desenvolver actividades culturais e artísticas do seu agrado e que vão ao encontro da sua realização pessoal. Os grupos culturais, desportivos, núcleos de estudantes e comissões de residentes têm de ser apoiados e financiados sob princípios de gestão autónoma de forma a colmatar as suas necessidades e projectos.

A AAUTAD deve acompanhar os estudantes na sua passagem pelo ensino superior, quer quando a questão são as propinas, quer protestando junto com o aluno sobre o resultado de um exame. É essa a AAUTAD que queremos e é essa a AAUTAD que propomos.


Se és estudante da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) VOTA M!
lista M

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18 de novembro de 2009

Manifestação pelo ensino Superior

Ontem, 17 de Novembro, decorreu em Lisboa algo semelhante a uma manifestação mas que muitos apelidaram de marcha. Os estudantes marcharam calmamente pelas ruas de Lisboa (Saída da cidade e chegada ao Ministério da Ciência e Ensino Superior) entoando palavras de ordem contra o ministro, mas tudo feito de uma forma muito pacifica e civilizada (cheguei a ouvir duas "meninas" dirigirem-se a um agente da psp e pedir muito delicadamente para irem à casa de banho).
No final representantes das associações académicas presentes (Coimbra e Lisboa em grande número, mas também com representações da UTAD UM, algumas faculdades do Porto, Évora, Aveiro) reuniram-se com o ministro para aquilo que mais pareceu ter sido uma conversa de salão de chá. O ministro aceitou as reivindicações dos estudantes e disse em palavras que concordava com os alunos.




Comunicado

“MARCHA PELO ENSINO SUPERIOR”

A degradação do Ensino Superior é hoje uma realidade incontornável. Devido a uma política de desinvestimento sucessivo por parte do Governo, as Faculdades sofrem uma crise de financiamento sendo que as propinas dos estudantes servem meramente para despesas de funcionamento, ao contrário do que a Lei prevê. Temos serviços a funcionar a meio gás, cantinas e bibliotecas encerradas para poupar recursos; um parque escolar degradado, não só ao nível do conforto e da higiene, mas constituindo já um perigo real para os estudantes que o utilizam; e um sistema de acção social que não abrange todos os que dele necessitam e que mantém o modelo de atribuição de bolsas por escalões, promovendo a iniquidade.

E é esta a realidade que os estudantes muitas vezes ignoram. A organização das Universidades imposta pelo RJIES resultou num efectivo afastamento dos estudantes da gestão das Faculdades que leva a um igual distanciamento dos seus problemas. Os estudantes estão a ser transformados em meros utentes, retirando-lhes o papel de elemento essencial no funcionamento das Universidades.

A crise de representatividade que assola o nosso país tem que ser combatida e para isso é necessário que todos tomem consciência, primeiro do modo de funcionamento das instituições em que estão inseridos e, segundo, dos problemas específicos que as afectam. Cabe aos estudantes do Ensino Superior especial responsabilidade, na medida em que sempre foi nas Universidades que se pensou o futuro. Não mais podemos continuar inertes e amorfos como até agora.

Optámos nos últimos anos por soluções de diálogo sem que houvesse a mínima abertura por parte do Ministério, está na hora de fazer mais. A manutenção de Mariano Gago como titular da pasta do Ensino Superior é uma afronta para todos nós que temos mantido as iniciativas políticas dentro das Universidades. O programa de Governo não acarreta qualquer esperança ao quase ignorar os principais problemas da Universidade Pública. Está na hora de fazermos mais e de mostrarmos que discordamos com esta forma unilateral de impor políticas educativas.

3 de fevereiro de 2009

Manifesto Anti-Académico

I. O ensino universitário paga-se em qualquer lado do país, logo a qualidade deveria ser inerte a todo o seu processo.

II. Todo o globo universitário existe por nossa causa: os ESTUDANTES. Por mais licenciaturas, mestrados ou doutoramentos que poderemos vir, ou não, a "tirar"(tirar a quem?) e/ou pagar, no futuro temos que perceber que todos os professores dependem dos alunos, para o exercício das suas funções.

III. Deixo aqui um alerta a todos aqueles que pretendem ingressar numa qualquer universidade portuguesa: Não o façam! A sociedade contemporânea empurra as pessoas para becos sem saída. O importante é uma pessoa ter consciência daquilo que sabe. Sinceramente cada vez dou mais valor às pessoas que não frequentaram cursos superiores.

IV. Todas as pessoas são mentirosas, mas mais do que nunca os professores universitários são seres humanos que não sabem estar na vida, e recorrem frequentemente à aldrabice. Os mesmos são os primeiros a incutir o espírito do "facilitismo português", seja nas fotocópias em português do Brasil, seja no incumprimento dos horários. Outro aspecto negativo transmitido pelos docentes assenta no complexo de inferioridade aquando da relação professor-aluno.

V. A ilusão de que o estudo académico fornece método e disciplina é pateta. As bases são dadas no ensino básico, daí o seu nome. Sem milho é impossível os professores fazerem pipocas, por melhores que sejam.

VI. Tirar um curso hoje em dia é um acto tão burocrático como a nossa sociedade. Assuntos como equivalências de disciplinas e outras questões de secretária apenas servem para cansar um indivíduo e enviá-lo de uma forma mais penosa para o desemprego.

VII. A vida de ESTUDANTE é uma utopia. Não existe vida facilitada, muito menos quando é suposto estudarmos, mas a verdade é que ela é uma brincadeira. Tudo é possível, como trabalhar e estudar ao mesmo tempo, algo que deveria ser impossível. Porque ou nos preparamos para a vida e estudamos ou a ganhamos trabalhando com as devidas competências.

VIII. O conceito de universidade aberta a todos é muito bonito, mas é no papel. Abrir as portas "pseudo educativas" por parte do ensino dito "superior" é apenas uma medida das próprias universidades para não entrarem em colapso financeiro e sobreviverem à custa do dinheiro de pessoas que muitas vezes não têm aptidão para um determinado curso, acabando as mesmas por desenvolver ao longo do tempo, uma personalidade tão negativa quanto passiva.

XIX. Aprender é uma arte, tal como ensinar. Há pessoas que gostam mais de aprender do que outras mas a vida académica em nada fomenta a busca pela razão, não suscita reacção, faz-nos "burros para sempre". Aliás, depois de uma experiência académica geralmente um indivíduo estagna e perde o prazer de aprender.

XX. A universidade não garante mudanças. Más pessoas nascem más pessoas, analfabetos saem analfabetos findado o curso. E uma vez que o objectivo da educação é promover a mudança, podemos dizer que a educação morreu. Com ela todos os ESTUDANTES morreram, porque perdemos o espírito crítico, que devia permanecer na base de todo o nosso conhecimento. O capitalismo corrompeu também o ensino, e nós ESTUDANTES já não nos importamos...

1 de dezembro de 2008

Cabo dos Trabalhos

Já se questionaram quantos trabalhos fizeram no word desde que entraram para a faculdade (soa mais culto do que universidade) e nessa imensidão de lixo electrónico o que restou? A reciclagem do pc é tão eficaz como a nossa mente. Hoje em dia, falando na generalidade do ensino universitário, já não há frequências escritas, pois reinam os trabalhos, relatórios, recensões, ou outra treta pseudo-científica qualquer, que como uma verdadeira pastilha elástica, mascamos e deitamos fora. Tal como gostava que o futebol voltasse a ser ao domingo a tarde, vou vos ser sincero: preferia as frequências. Assim em papel de teste com horinha marcada e tudo. Ok, é preciso ler e blá blá blá. Mas não será um trabalho uma tarefa mais enfadonha? Sempre a mesma introdução, sempre a mesma conclusão, sempre a marca vermelha do word a assinalar erro onde não o há, sempre o mesmo clicar para criar um novo documento. Os trabalhos escritos no pc cansam e sinceramente já me dão naúseas. E tudo isto vem em rolote.

10 de setembro de 2008

Ensino Superior - Ecos no Marão

«Universidades vão ter mais dinheiro em 2009», garante Mariano Gago

A proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2009 prevê um aumento de verbas para o Ensino Superior, um reforço que beneficia o funcionamento corrente das instituições e a Acção Social Escolar. Mariano Gago fez este anúncio na Comissão de Educação e Ciência no Parlamento, onde esteve também a jornalista Natália Carvalho.


in RTP noticias

Senhor Mariano Gago explique então como este ano as propinas voltaram a aumentar e no caso da UTAD aumentou 50€ estando quase nos 1000€ por ano sendo a primeira prestação de 400€. Alguém nos anda a enganar.

26 de abril de 2008

Festejar a Ignorância

Pois bem. Mais um ano, mais uma queima. As gentes estudantis entram em delírio, principalmente os finalistas. Mas não seremos todos finalistas? Finalistas da vida digo, porque tudo acaba. E porquê festejar tudo aquilo que acaba? Porque vou para o desemprego? Porque o meu curso era assim tão difícil? Porque agora é que os meus pais me vão deixar de dar dinheiro? Porque vou embora da terrinha? Não. Eu também não festejo quando vou a casa de banho fazer as minhas necessidades. As pessoas festejam porque gostam de gozar. Queimam as fitas porque não gostam de estudar. A universidade é um tormento. E tirar um curso, uma licenciatura, um bacharelato é dificílimo, quanto mais um mestrado em Bolonha, que é muito comprido. Lamechismo de parte e concluo que festejamos todos a ignorância. Queimar as fitas é um jogo de crianças com idade para terem juízo.

10 de novembro de 2007

Universidade = Pós-Secundário; Prof.Drs.Engs. Universitários = Bostik

Cheguei a esta conclusão e associação há já 5 matrículas atrás, mas a verdade é que hoje sou mestrado nela. Amanhã talvez seja doutorado. Agora depende se vou ganhar mais ou não, porque se não compensar não quero. Não sou burro para andar a estudar, quando já sei tudo.

É este o panorama das universidades portuguesas. Morangos com açucar, que continuam a vomitar a causa social da discoteca à quinta, muito branquinha e brilhante, onde a moda se confunde com a ignorância. O house comercial e o kizomba bacoco lançam os foguetes e os azeiteiros do costume apanham as canas. Isto há anos. E são tantos. O cordeiro de Deus ainda vende bem, pelos vistos. Vai uma óstia? Mas espera aí! Afinal são os mesmos de há 5 ou 10 anos atrás, pois lembro-me de apanhar canas com eles... no fundo as pessoas são como são. Não podemos mudar mentalidades, porque tudo é perfeito e nada é errado. As próprias associações de estudantes são o espelho do que virá a seguir. Empacota rápido que o tempo urge. O que interessa é que a capa esteja lavadinha na altura da praxe, porque ai sou o melhor e sou metaleiro e mau. Elas até gostam e tudo. Faz-nos sentir homes. Um dia quando morrer talvez perceba, mas ai ja é tarde.

Voltando ao início e associando os sotores professores universitários com o seu nobilíssimo grau de ensino constato que os srs do círculo de leitores que andam a vender livros de porta em porta também são doutorados. Porque nas universidades, certos professores pregam a bíblia com pregos sem a saberem, o que se torna hilariante, tirando o facto de que são eles que depois nos vão avaliar e de levarem 5 € a óstia. Conclusão: são tapa buracos. Professores bostiks. Ah e tal, não há professor naquela área pomos o grão-mestre de outra. É para isso que pagamos propinas. Para isso e para chumbarmos por faltas, como os dentistas fazem com os dentes podres dos capitalistas. Mas haja esperança, um dia a inquisição do ensino vai arder nas suas próprias palavras.