4 de dezembro de 2006
1 de dezembro de 2006
Tolerância Religiosa

Depois de sua Santidade o Papa Bento XVI ter proferido uma frase retirada de um diálogo do século XIV no qual um imperador bizantino diz: "Mostre-me o que Maomé trouxe de novo, e verás apenas coisas más e desumanas, como a sua ordem de divulgar pela espada a fé que pregava", faz uma visita à Turquia (país muçulmano) e encontra-se com os líderes daquele país. Agora veja-se: depois de um importante líder Muçulmano, o líder espiritual Iraniano, Âyatollâh Ali Khamenei, ter considerado países Cristãos como os E.U.A e a Inglaterra de "Grande Satã", seria aceitável que este visita-se o Vaticano e dirigir-se aos Cristãos com um discurso sobre tolerância? Seria tomado como hipócrita... não sei.
28 de novembro de 2006
23 de novembro de 2006
6 de novembro de 2006
Saddam condenado a pena de morte pelos Estados Unidos
Sadam foi ontem condenado pelos Estados Unidos da América a pena de morte por enforcamento.

Todos sabemos que foi um ditador e matou milhares de pessoas!!!
Mas, onde está a democracia do Ocidente? Os states invadem um país matam milhares de pessoas e o seu ditador. Por esta ordem de ideias Bush e companhia deviam ser condenados também a pena de morte...

Todos sabemos que foi um ditador e matou milhares de pessoas!!!
Mas, onde está a democracia do Ocidente? Os states invadem um país matam milhares de pessoas e o seu ditador. Por esta ordem de ideias Bush e companhia deviam ser condenados também a pena de morte...
4 de novembro de 2006
Até onde Irão?
O Irão iniciou mais uma sessão de manobras no golfo pérsico, o estreito de Ormuz e uma grande parte do mar de Omã, intituladas de Grande Profeta II, sendo que já em Agosto as tropas Iranianas haviam realizado uma série de treinos de guerra em várias regiões do país. Nos últimos meses a República Islâmica do Irão tem vindo a mostrar as capacidades do seu exército, surpreendendo com a tecnologia de fabrico próprio que têm apresentado. Depois de desequilibrado o frágil equilíbrio naquela zona, com a invasão do Iraque, esta situação seria de prever. E o Irão está claramente a tirar partido da situação, continua a não ceder na questão nuclear, ao contrário do que parece suceder com a Coreia do Norte (Kim Jong-il poderia fazer como Sadam, um plano de troca por alimentos, Energia Nuclear por alimentos).
Antes de uma guerra precede-se uma guerra ideológica, nessa guerra o Irão tem vencido algumas batalhas com o uso da palavra, e nesse campo Ahmedinejad tem mostrado dotes.
Na Internet circulam dezenas de vídeos do Exercito Iraniano. Imagens dos Jogos de Guerra filmadas em Agosto
Em próximos «Post» mais sobre o Irão
Antes de uma guerra precede-se uma guerra ideológica, nessa guerra o Irão tem vencido algumas batalhas com o uso da palavra, e nesse campo Ahmedinejad tem mostrado dotes.
Na Internet circulam dezenas de vídeos do Exercito Iraniano. Imagens dos Jogos de Guerra filmadas em Agosto
Em próximos «Post» mais sobre o Irão
22 de outubro de 2006
Aborto
Após o referendo ao aborto ter sido aprovado resta saber que pergunta irá ser colocada a votação.
Depois dos factos a minha opinião:

Sou totalmente contra o aborto excepto naquelas condições que nem sequer vou por em causa que são a violação e deficiência muito profunda.
Para mim essa prática é um crime e quem o faz e pratica deve ser punido. O espermatozóide ao encontrar o óvulo desenvolve automaticamente uma criança, uma vida, não se pode matar uma pessoa mas pode-se abortar?
As pessoas quem engravidam sem puder ou querer têm de se responsabilizar pelos seus actos e passar sacrifícios por isso. Penso que a adopção de homossexuais seria uma solução muito melhor que o aborto.
Tenho pena que o futuro seja o aborto, que é inevitável pois se o referendo foi feito a pouco mais de 5 anos, se o aborto não passar, daqui a 5 anos novo referendo virá.
Pegando nos argumentos favoráveis ao aborto: a mulher tem direito a escolha, acabar com a hipocrisia, 10% dos abortos em Espanha são de mulheres portuguesas, não têm condições, o bebé seria infeliz, etc…
Caso as mulheres não saibam existe pílola, preservativo, diafragmas… mas se “acontece”, que acredito que aconteça, a pessoa deve aceitar como um “acontece” e fazer sacrifícios. Acabar com a hipocrisia acho que nunca vai ser acabada por isso começar com o aborto não é a melhor maneira. Não sei porque tamanha preocupação de as mulheres irem abortar a Espanha se muitas são obrigadas a ir ter lá os filhos. Se não têm condições façam sacrifícios que não os pais dessas mães também fizeram sacrifícios, em casos extremos existe quem queira adoptar.

Todos temos direito a vida depois de começar a ser formada. Todos nós fomos crianças, pensei nisso.
Vou votar pela primeira vez…
Agora um vídeozinho de terror:
Depois dos factos a minha opinião:

Sou totalmente contra o aborto excepto naquelas condições que nem sequer vou por em causa que são a violação e deficiência muito profunda.
Para mim essa prática é um crime e quem o faz e pratica deve ser punido. O espermatozóide ao encontrar o óvulo desenvolve automaticamente uma criança, uma vida, não se pode matar uma pessoa mas pode-se abortar?
As pessoas quem engravidam sem puder ou querer têm de se responsabilizar pelos seus actos e passar sacrifícios por isso. Penso que a adopção de homossexuais seria uma solução muito melhor que o aborto.
Tenho pena que o futuro seja o aborto, que é inevitável pois se o referendo foi feito a pouco mais de 5 anos, se o aborto não passar, daqui a 5 anos novo referendo virá.
Pegando nos argumentos favoráveis ao aborto: a mulher tem direito a escolha, acabar com a hipocrisia, 10% dos abortos em Espanha são de mulheres portuguesas, não têm condições, o bebé seria infeliz, etc…
Caso as mulheres não saibam existe pílola, preservativo, diafragmas… mas se “acontece”, que acredito que aconteça, a pessoa deve aceitar como um “acontece” e fazer sacrifícios. Acabar com a hipocrisia acho que nunca vai ser acabada por isso começar com o aborto não é a melhor maneira. Não sei porque tamanha preocupação de as mulheres irem abortar a Espanha se muitas são obrigadas a ir ter lá os filhos. Se não têm condições façam sacrifícios que não os pais dessas mães também fizeram sacrifícios, em casos extremos existe quem queira adoptar.

Todos temos direito a vida depois de começar a ser formada. Todos nós fomos crianças, pensei nisso.
Vou votar pela primeira vez…
Agora um vídeozinho de terror:
18 de outubro de 2006
Greetings my friends
Perigo! música altamente destrutiva. The Cerebrospinal FluidNa foto: Chico na guitarra, escondido por uma máscara cabeluda, bem como Lamas(à direita) e Diogo(presumivelmente a cantar), na bateria Nogueira(acabado de chegar de um casamento).
10 de outubro de 2006
Italiamaica
Um em cada tres deputados do parlamento italiano acusou consumo de drogas (cannabis, cocaina...).Hilariante esta a forma como fizeram os testes e quem os fez!!!!!!
Alargamento
Pyongyang realizou hoje um teste nuclear, ao que se pensa uma bomba de uma quilotonelada, que causou duras reacções na comunidade internacional. O clube está a crescer, EUA, República Popular da China, Rússia, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e.... Coreia do Norte, com a República Islâmica do Irão a observar muito atentamente o alargamento do clube Atómico. O regime Norte Coreano não mostra sinais de fraqueza, com a ONU cada vez mais enfraquecida pelas posições unilaterais tomadas pelo “grande bloco”, resta saber quem tomará conta deste recado, tendo em conta que este é mais um incentivo para outros pretendentes a entra no clube.
4 de outubro de 2006
Familiar?

Depois de ter sido considerada a melhor escola do País, o Colégio da Boavista em Vila Real volta a dar cartas, sendo este ano considerada a escola mais segura do país, notícia que não é surpresa para quem estudou nesse Colégio durante 6 anos. Apesar da propaganda esta notícia parece ser mesmo verdadeira, segurança é o que não falta naquele estabelecimento, aliás pecam por excesso nesse ponto.
«António Gaspar orgulha-se de ter entre os docentes ex-alunos formados no colégio. “Apostamos em gente jovem, que conheça a casa e as regras, porque estes nós já sabemos como são.” E realça, embevecido, um facto especial: “O melhor aluno em Física no ano passado foi fazer um curso de engenharia informática a Coimbra e está já convidado para, no próximo ano, estudar na América, contratado pela NASA» In correio da manhã 2-10-2004
Parece-vos familiar…
1 de outubro de 2006
Chávez usa imagem de Sócrates em campanha
30 de setembro de 2006
Evolução
Para mim a evolução consiste na mudança permanente de um determinado momento/estado. Se é para evoluir, é para melhorar. É estar a par das mudanças culturais e sociais. Nunca fui contra ninguém que tivesse ideias de direita, mas se calhar já lhes apelidei de "ditadores" como eles me apelidaram de "charrado". Os de direita não gostam que as pessoas decidam. Gostam eles de decidir tudo. É mais fácil não prestar contas a ninguém. Quem está mal muda-se.Uma ditadura de Estado Novo é uma ditadura anti-liberdade. Hoje vivemos numa ditadura capitalista. Se não tens poder económico não és ninguém, por muito bom que sejas numa determinada área. Invadir países e ir contra religiões não é o caminho, mas para alguns consegue ser. Para quem realmente manda. Mas a evolução é feita por nós. Ninguém é teu pai para te dizer: "Não vás a igreja". Para mim a igreja é um comércio. Os padres ganham bem, e têm as bancadas...perdão os assentos da igreja cheios. Muitos são o cúmulo da cultura, e falam latim (por sinal uma língua histórica mas morta, pois evoluiu). Enquanto Portugal, Trás - Os - Montes, Vila Real, Bragança, não se aperceberem do seu atraso não evoluem, nem deixam que evoluam. A evolução acontece de geração em geração. Socialmente efectua-se através da Educação: valores, moral, cultura,... Se as pessoas pensam que sabem tudo, ainda bem para elas. Eu não sei nada. Agora quero que me digam sinceramente: porque é que Trás - Os - Montes não evolui? Ou vão me dizer que agora há Teatro, Shopping,... e estamos todos contentes. Eu não estou. E digo sinceramente que a mentalidade de direita que ainda reside cá é um atraso à evolução. Porque no fundo os nossos velhotes gostam do Salazar. Era o exemplo. E as mulheres daqui eram educadas para serem donas de casa. No fundo somos a gente mais pura e humilde.
Mas também somos ceguinhos. Só conhecemos isto. Educam-nos para a cegueira. É triste.
Boicotam a evolução. "Porque toda a gente é competente e ninguém quer ganhar dinheiro. "
ps: Um bem haja especial ao Cavadinha. As opiniões contrárias serão sempre bem vindas no seio mais "esquerdista". Porque no fundo só com a discussão chegamos à evolução. Venha de lá esse jantar! Tou com apetite!
Mas também somos ceguinhos. Só conhecemos isto. Educam-nos para a cegueira. É triste.
Boicotam a evolução. "Porque toda a gente é competente e ninguém quer ganhar dinheiro. "
ps: Um bem haja especial ao Cavadinha. As opiniões contrárias serão sempre bem vindas no seio mais "esquerdista". Porque no fundo só com a discussão chegamos à evolução. Venha de lá esse jantar! Tou com apetite!
29 de setembro de 2006
Estaline, um pouco de história
Iosef Estaline nasceu em 1878, numa aldeia da Geórgia, nação então submetida ao domínio do império dos czares da Rússia. Filho de um sapateiro e de uma lavadeira, estudou num seminário da Igreja Ortodoxa. Mas, ao invés de se tornar padre, será dirigente de um partido marxista e clandestino opositor do despótico regime dos czares, o Partido Bolchevique. Por várias vezes foi preso e deportado para a inóspita região da Sibéria.
Com a revolução russa de 1917 o seu partido ascende ao poder. Isto num estado em guerra e praticamente em colapso político, económico, social e militar. Numa sociedade que ainda mal houvera dado os primeiros passos da Revolução Industrial, perdurando essencialmente agrária e medieval. E num país isolado e ameaçado pelos governos das grandes potências, desejosos de afogar a revolução.
Nestas condições, o que inicialmente apareceu como uma revolução libertadora, distribuindo as terras dos senhores feudais pelos camponeses e tirando o país da carnificina da 1ª Guerra Mundial, rapidamente degenerou numa guerra civil participada por intervenções armadas estrangeiras. O que inicialmente era um governo de coligação rapidamente degenerou numa ditadura de partido único. E a ditadura rapidamente degenerou esse partido.
É então que Estaline vai entrar para a história. Ascendendo à liderança de um Estado, a antiga Rússia dos czares entretanto transformada em URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E à liderança de uma ideologia, o comunismo.
Como estadista, Estaline conduziu uma URSS subdesenvolvida ao lugar de 2ª potência industrial do mundo, ultrapassada apenas pelos Estados Unidos da América, e ao desempenho de um papel determinante na derrota do nazismo na 2ª Guerra Mundial
Porém, pegando nas palavras do diplomata soviético Andrei Gromyko, “Estaline foi igualmente um homem rude; para alcançar os seus objectivos desvalorizou a vida humana e edificou um sistema estatal, monstruoso e arbitrário, responsável pela morte de uma multidão de soviéticos inocentes. (...) Comparados à massa dos crimes de Estaline, os piores excessos dos antigos autocratas russos e seus esbirros parecem insignificantes. Como uma serpente, enganou e agrediu sem piedade os heróis da velha guarda bolchevique bem como simples cidadãos, trabalhadores, camponeses, intelectuais, comunistas e sem partido. (...) Tudo isto não deve, todavia, lançar na sombra os imensos sucessos alcançados pelo nosso povo, tanto na paz como na guerra, apesar dos crimes monstruosos de Estaline. Para ser-se justo, há que ter em consideração as páginas sombrias da nossa história, mas também, ao mesmo tempo, as páginas heróicas”. (1)
De facto, como afirma o historiador norte-americano Stephen Cohen, “a época de Estaline” foi uma “época de grandes realizações e crimes monstruosos que são difíceis de conciliar. Milhões de pessoas foram vítimas da brutal colectivização forçada e do terror em massa - assassinadas ou detidas” em “campos de trabalhos forçados - mas outros milhões trabalharam heroicamente e ergueram-se nas campanhas para forjar uma nação industrial poderosa e derrotar os invasores” nazis comandados por Adolf Hitler. (2)
Creio que ninguém de bom senso poderá desculpar os crimes de Estaline com os sucessos que a URSS alcançou sob o seu governo. Mas há quem, embora condenando Estaline, considere que a forma como este governou era em traços gerais a única forma de, em tão pouco tempo, alcançar tais sucessos. Discordo. Penso que o historiador e antigo dissidente soviético Rói Medvedev tem toda a razão quando aponta que as grandes transformações que modernizaram a URSS na altura, teriam sido muito mais rápidas se tivessem continuado a contar com o contributo de centenas de milhares de pessoas que foram assassinadas, ou não é o capital humano o mais precioso para o desenvolvimento de um país? Como escreveu Medvedev, “os prisioneiros dos campos de concentração estalinianos levaram a cabo um grande número de realizações: construíram a maior parte dos canais e das centrais hidroeléctricas, de numerosas vias férreas, de fábricas, de oleodutos e mesmo de grandes edifícios em Moscovo. Mas a indústria teria conhecido um crescimento mais rápido se estes milhões de pessoas inocentes tivessem trabalhado livremente. O recurso à força contra o campesinato contribuiu igualmente para retardar o ritmo de crescimento da agricultura., tendo sobre a economia soviética efeitos desastrosos, que se fizeram sentir” até ao fim do regime. (3)
Do ponto de vista ideológico. Aqui há quem aponte, como recentemente fez o director do jornal Público, o governo de Estaline como consequência inevitável da Revolução de 1917 e como a essência do comunismo ou socialismo.
Quanto à primeira tese, penso que constitui, nas palavras do já citado Stephen Cohen, um autêntico “desprezo por aspectos essenciais da história real - como confrontos entre tradições, alternativas, pontos de viragem e uma multiplicidade de contingências, causas e influências”. (4)
Quanto a considerar-se o estalinismo como a essência do comunismo/socialismo será já um perfeito absurdo. Afinal, como reconheceu o PSD no seu primeiro congresso, os “grandes ideais do socialismo” são a “liberdade, igualdade e solidariedade” e “não há socialismo sem democracia”. (5)
É certo porém que se trata de um absurdo de algum modo compreensível. Leiamos sobre isso um testemunho do antigo dissidente soviético L. Elkonine: “pouco a pouco, fatalmente, instalou-se no espírito das pessoas a ideia de que tudo o que constituía o fundamento político, ideológico e moral da sociedade soviética sob Estaline, era o socialismo: o culto do Estado e da autoridade, a irresponsabilidade dos homens no poder, a ausência de direitos da população, a hierarquia dos privilégios e a canonização da hipocrisia, as formas ‘militares’ da vida social e intelectual, a destruição do indivíduo e a liquidação do pensamento independente, o clima de terror e de suspeição, a atomização do povo, (...) a violência desenfreada e a crueldade legal: acreditou-se que era isto o socialismo. Mas é justamente assim que os ideólogos do capitalismo não cessaram de caricaturar” o socialismo desde que este surgiu como movimento político. “O sistema estaliniano fez passar estas calúnias por factos. E só pôde fazer esta conversão tornando-se parasita não somente das grandes realizações do nosso povo, que levantado de entusiasmo pela Revolução (...), tinha começado a construir o socialismo (...) A maior tragédia (...) de toda a história do socialismo, é que degradou-se e desacreditou-se o socialismo em nome do próprio socialismo, (...) e no primeiro país que tinha empreendido a revolução socialista e que era chamado a servir de exemplo para os outros países (...) É sem dúvida o maior crime de Estaline: ter sujado e traído a causa do socialismo (...) Prestou ao capitalismo um serviço incomensurável: nenhum dos inimigos do socialismo fez melhor”. (6)
Mas como foi possível uma revolução imbuída de ideais tão nobres degenerar de tal forma? Foi em grande medida o problema de como facilmente o poder corrompe e se afasta do povo, de como é fácil abusar dele, e da falta de mecanismos democráticos para o corrigir. E isto num contexto histórico determinado, bastante propício a este tipo de situações, que já aflorámos.
Os abusos de poder não são exclusivo de nenhuma ideologia, de nenhum sistema político, de nenhuma classe ou época. Têm ocorrido e continuam a ocorrer, ao longo dos séculos até aos dias de hoje, em nome do comunismo, do capitalismo, do liberalismo, do cristianismo, do islamismo...
O melhor remédio para os abusos de poder é a democracia. E a melhor forma de melhorar a prevenção de abusos de poder é melhorar a democracia.
A perversão do comunismo personificada em Estaline acaba por ser um excelente exemplo, entre tantos outros, de como o comunismo, na sua verdadeira essência, é um ideal cada vez mais válido. Assenta numa concepção alargada dos direitos humanos fundamentais, da qual a liberdade é um elemento básico e central, apontando não só para a valorização e aprofundamento da democracia política, tanto na vertente representativa como na participativa, mas também da democracia económica, social e cultural: o poder económico tem que estar subordinado ao poder político pertença do povo (à cidadania); tem que haver justiça social e igualdade de oportunidades, tem de ser para todos o direito ao emprego, à habitação, à educação, à saúde, à informação, e muitos mais.
Estaline morreu há 50 anos. Mas perdura como uma grande e trágica lição da História.
Notas:
(1) - Gromyko, Andrei, Memoires, Éditions Pierre Belfond, Paris, 1989, págs. 98/9
(2) - Cohen, Stephen, “Ligachev and the tragedy of Soviet Conservatism” - introduction to Yegor Ligachev’s Inside Gorbachev’s Kremlin, Westview Press, Boulder (USA), 1996, pág. xiv
(3) - Medvedev, Rói, Le Stalinisme, Éditions du Seuil, Paris, 1972, pág. 612
(4) - Cohen, Stephen, Rethinking the Soviet Experience, Oxford University Press, New York, 1986, pág. 7
(5) - Programa do Partido Popular Democrático, 1974, pág. 13
(6) - Elkonine, L. - citado por Rói Medvedev, op. cit., págs. 603/4
Retirado de “Nova em Folha”, jornal da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Com a revolução russa de 1917 o seu partido ascende ao poder. Isto num estado em guerra e praticamente em colapso político, económico, social e militar. Numa sociedade que ainda mal houvera dado os primeiros passos da Revolução Industrial, perdurando essencialmente agrária e medieval. E num país isolado e ameaçado pelos governos das grandes potências, desejosos de afogar a revolução.
Nestas condições, o que inicialmente apareceu como uma revolução libertadora, distribuindo as terras dos senhores feudais pelos camponeses e tirando o país da carnificina da 1ª Guerra Mundial, rapidamente degenerou numa guerra civil participada por intervenções armadas estrangeiras. O que inicialmente era um governo de coligação rapidamente degenerou numa ditadura de partido único. E a ditadura rapidamente degenerou esse partido.
É então que Estaline vai entrar para a história. Ascendendo à liderança de um Estado, a antiga Rússia dos czares entretanto transformada em URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E à liderança de uma ideologia, o comunismo.
Como estadista, Estaline conduziu uma URSS subdesenvolvida ao lugar de 2ª potência industrial do mundo, ultrapassada apenas pelos Estados Unidos da América, e ao desempenho de um papel determinante na derrota do nazismo na 2ª Guerra Mundial
Porém, pegando nas palavras do diplomata soviético Andrei Gromyko, “Estaline foi igualmente um homem rude; para alcançar os seus objectivos desvalorizou a vida humana e edificou um sistema estatal, monstruoso e arbitrário, responsável pela morte de uma multidão de soviéticos inocentes. (...) Comparados à massa dos crimes de Estaline, os piores excessos dos antigos autocratas russos e seus esbirros parecem insignificantes. Como uma serpente, enganou e agrediu sem piedade os heróis da velha guarda bolchevique bem como simples cidadãos, trabalhadores, camponeses, intelectuais, comunistas e sem partido. (...) Tudo isto não deve, todavia, lançar na sombra os imensos sucessos alcançados pelo nosso povo, tanto na paz como na guerra, apesar dos crimes monstruosos de Estaline. Para ser-se justo, há que ter em consideração as páginas sombrias da nossa história, mas também, ao mesmo tempo, as páginas heróicas”. (1)
De facto, como afirma o historiador norte-americano Stephen Cohen, “a época de Estaline” foi uma “época de grandes realizações e crimes monstruosos que são difíceis de conciliar. Milhões de pessoas foram vítimas da brutal colectivização forçada e do terror em massa - assassinadas ou detidas” em “campos de trabalhos forçados - mas outros milhões trabalharam heroicamente e ergueram-se nas campanhas para forjar uma nação industrial poderosa e derrotar os invasores” nazis comandados por Adolf Hitler. (2)
Creio que ninguém de bom senso poderá desculpar os crimes de Estaline com os sucessos que a URSS alcançou sob o seu governo. Mas há quem, embora condenando Estaline, considere que a forma como este governou era em traços gerais a única forma de, em tão pouco tempo, alcançar tais sucessos. Discordo. Penso que o historiador e antigo dissidente soviético Rói Medvedev tem toda a razão quando aponta que as grandes transformações que modernizaram a URSS na altura, teriam sido muito mais rápidas se tivessem continuado a contar com o contributo de centenas de milhares de pessoas que foram assassinadas, ou não é o capital humano o mais precioso para o desenvolvimento de um país? Como escreveu Medvedev, “os prisioneiros dos campos de concentração estalinianos levaram a cabo um grande número de realizações: construíram a maior parte dos canais e das centrais hidroeléctricas, de numerosas vias férreas, de fábricas, de oleodutos e mesmo de grandes edifícios em Moscovo. Mas a indústria teria conhecido um crescimento mais rápido se estes milhões de pessoas inocentes tivessem trabalhado livremente. O recurso à força contra o campesinato contribuiu igualmente para retardar o ritmo de crescimento da agricultura., tendo sobre a economia soviética efeitos desastrosos, que se fizeram sentir” até ao fim do regime. (3)
Do ponto de vista ideológico. Aqui há quem aponte, como recentemente fez o director do jornal Público, o governo de Estaline como consequência inevitável da Revolução de 1917 e como a essência do comunismo ou socialismo.
Quanto à primeira tese, penso que constitui, nas palavras do já citado Stephen Cohen, um autêntico “desprezo por aspectos essenciais da história real - como confrontos entre tradições, alternativas, pontos de viragem e uma multiplicidade de contingências, causas e influências”. (4)
Quanto a considerar-se o estalinismo como a essência do comunismo/socialismo será já um perfeito absurdo. Afinal, como reconheceu o PSD no seu primeiro congresso, os “grandes ideais do socialismo” são a “liberdade, igualdade e solidariedade” e “não há socialismo sem democracia”. (5)
É certo porém que se trata de um absurdo de algum modo compreensível. Leiamos sobre isso um testemunho do antigo dissidente soviético L. Elkonine: “pouco a pouco, fatalmente, instalou-se no espírito das pessoas a ideia de que tudo o que constituía o fundamento político, ideológico e moral da sociedade soviética sob Estaline, era o socialismo: o culto do Estado e da autoridade, a irresponsabilidade dos homens no poder, a ausência de direitos da população, a hierarquia dos privilégios e a canonização da hipocrisia, as formas ‘militares’ da vida social e intelectual, a destruição do indivíduo e a liquidação do pensamento independente, o clima de terror e de suspeição, a atomização do povo, (...) a violência desenfreada e a crueldade legal: acreditou-se que era isto o socialismo. Mas é justamente assim que os ideólogos do capitalismo não cessaram de caricaturar” o socialismo desde que este surgiu como movimento político. “O sistema estaliniano fez passar estas calúnias por factos. E só pôde fazer esta conversão tornando-se parasita não somente das grandes realizações do nosso povo, que levantado de entusiasmo pela Revolução (...), tinha começado a construir o socialismo (...) A maior tragédia (...) de toda a história do socialismo, é que degradou-se e desacreditou-se o socialismo em nome do próprio socialismo, (...) e no primeiro país que tinha empreendido a revolução socialista e que era chamado a servir de exemplo para os outros países (...) É sem dúvida o maior crime de Estaline: ter sujado e traído a causa do socialismo (...) Prestou ao capitalismo um serviço incomensurável: nenhum dos inimigos do socialismo fez melhor”. (6)
Mas como foi possível uma revolução imbuída de ideais tão nobres degenerar de tal forma? Foi em grande medida o problema de como facilmente o poder corrompe e se afasta do povo, de como é fácil abusar dele, e da falta de mecanismos democráticos para o corrigir. E isto num contexto histórico determinado, bastante propício a este tipo de situações, que já aflorámos.
Os abusos de poder não são exclusivo de nenhuma ideologia, de nenhum sistema político, de nenhuma classe ou época. Têm ocorrido e continuam a ocorrer, ao longo dos séculos até aos dias de hoje, em nome do comunismo, do capitalismo, do liberalismo, do cristianismo, do islamismo...
O melhor remédio para os abusos de poder é a democracia. E a melhor forma de melhorar a prevenção de abusos de poder é melhorar a democracia.
A perversão do comunismo personificada em Estaline acaba por ser um excelente exemplo, entre tantos outros, de como o comunismo, na sua verdadeira essência, é um ideal cada vez mais válido. Assenta numa concepção alargada dos direitos humanos fundamentais, da qual a liberdade é um elemento básico e central, apontando não só para a valorização e aprofundamento da democracia política, tanto na vertente representativa como na participativa, mas também da democracia económica, social e cultural: o poder económico tem que estar subordinado ao poder político pertença do povo (à cidadania); tem que haver justiça social e igualdade de oportunidades, tem de ser para todos o direito ao emprego, à habitação, à educação, à saúde, à informação, e muitos mais.
Estaline morreu há 50 anos. Mas perdura como uma grande e trágica lição da História.
Notas:
(1) - Gromyko, Andrei, Memoires, Éditions Pierre Belfond, Paris, 1989, págs. 98/9
(2) - Cohen, Stephen, “Ligachev and the tragedy of Soviet Conservatism” - introduction to Yegor Ligachev’s Inside Gorbachev’s Kremlin, Westview Press, Boulder (USA), 1996, pág. xiv
(3) - Medvedev, Rói, Le Stalinisme, Éditions du Seuil, Paris, 1972, pág. 612
(4) - Cohen, Stephen, Rethinking the Soviet Experience, Oxford University Press, New York, 1986, pág. 7
(5) - Programa do Partido Popular Democrático, 1974, pág. 13
(6) - Elkonine, L. - citado por Rói Medvedev, op. cit., págs. 603/4
Retirado de “Nova em Folha”, jornal da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
23 de setembro de 2006
Parabéns a Você....

O blog está a fazer anos, ou melhor ano... porque na verdade ainda não é correcto usar o plural já que o bolo apenas vai ter uma vela respectiva ao primeiro ano de existência.
À sensivelmente um ano nasceu este espaço de expressão livre, um espaço que na minha opinião fazia falta, meia dúzia de pseudo-intelectuais sem um espaço para deixarem as suas ideias, parecia-me uma falha tremenda que teria de ser colmatada... e então surgiu a ideia do blog, para senão resolver remediar.
Como o «Expressa-te» está a fazer "anos" pareceu-me bem organizar um jantar com todos os “contributors” para conviver e trocar ideias pessoalmente, em suma passar um bom bocado e reanimar as mentes criticas, que ultimamente têm estado um pouco apagadas (penso que para reestruturar ideias)
Acho que a maioria estará de acordo, agora resta acertar uma data pois era óptimo que todos estivessem no jantar. A minha ideia é que o jantar seja nestas duas semanas (numa sexta ou sábado, ou então no feriado de 5 de Outubro), porque depois começam os exames, semanas académicas e aí será mais difícil encontrar um data que sirva a todos. Deixem as vossas opiniões para que se consiga encontrar uma data adequada a todos.
18 de setembro de 2006
Os de esquerda e os de direit...(perdão) os fascistas
Muitos cidadãos com ideologias de esquerda têm a pura convicção que a maioria dos políticos e concidadãos pertencentes a partidos de direita, representam os ideais fascistas do Estado Novo e que por muito que expressem a sua opinião e/ou apresentem ideias válidas para um caminho que encarrilhe o País, são tidos como non valide. Por isto, é que incito todos os que assim pensam, a ouvir o que cada um de nós tem para dizer, sem que se olhe primeiro para a sua cor política.
Nota (dirigida ao Sérgio)
Já agora, tás enganado!
Esses "idiotas" a quem te referes fazem parte dum "bolo" maior... Dos que lá (nos governos do pós 25 de Abril) "puseram" o c*!! E portanto, de todos os quadrantes políticos. E eles têm um nome: o de INCOMPETENTES! (A este bolo, não pertencem uma % mínima deles, que devido à incompetência da maior parte, difílmente aos olhos de muitos não se diferenciam dos restantes)
Um abraço para todos os contributors do Expressa-te e em especial para ti Sérgio
Nota (dirigida ao Sérgio)
Já agora, tás enganado!
Esses "idiotas" a quem te referes fazem parte dum "bolo" maior... Dos que lá (nos governos do pós 25 de Abril) "puseram" o c*!! E portanto, de todos os quadrantes políticos. E eles têm um nome: o de INCOMPETENTES! (A este bolo, não pertencem uma % mínima deles, que devido à incompetência da maior parte, difílmente aos olhos de muitos não se diferenciam dos restantes)
Um abraço para todos os contributors do Expressa-te e em especial para ti Sérgio
17 de setembro de 2006
O Mundo não acaba
27 de agosto de 2006
Pensamento do dia
É quando as pessoas deixam de participar na democracia que se instala o fascismo e os idiotas tomam o poder.
19 de agosto de 2006
Cavaco nas Lajes

Pelos vistos isto da guerra no Líbano diz-nos respeito.
É facto de que os States utilizaram a Base das Lajes nos Açores para a invasão do Iraque.
E agora também é facto de que Israel está a utilizar a Base das Lajes. Mas Porquê???
O que temos a ver com o conflito???
Isto só vem confirmar que os States apoiam Israel e que nós cedemos uma base, sem nos apercebermos.

E quando perguntam a Cavaco Silva se teve conhecimento antecipado da passagem de aviões israelitas pela Base das Lajes, nos Açores a resposta é: "Há assuntos que devem ser tratados com reserva em público".
E sobre o envio de tropas para o Líbano a resposta é: «É uma decisão que tem de ser ponderada com muita cautela.»
Que Presidente é este que não diz as intenções do país.
Na minha opinião os militares portugueses apenas deveriam incorporar as forças da ONU. São muitos interesses que nunca haveremos de saber!
3 de agosto de 2006
Guerra

Guerra…
Para quê???
Justifica-se os problemas da guerra pelas diversas razões?
Tem de se sacrificar sempre alguém para algo mudar?
Agora a guerra na Líbia, aquelas guerras entre muçulmanos e israelitas... não me lembro de não ver noticias que falassem de conflitos entre estes povos.
Ninguém se compreende, mas também ninguém se quer compreender!!!
Não percebo nada do conflito, os states também com a mania de donos do Mundo mas também é só para o que interessa, o Iraque parece que já lá vai…
São umas guerras que não percebo para quê…
Também só sei o que passa na televisão e toda a gente sabe que também só passa as ideias que eles querem, a verdade mesmo verdade só os donos do Mundo é que sabem.
States, vocês têm muito paleio em mandar aquela pau mandado para negociações mas toda a gente percebe que quem ganha com a guerra são vocês, ainda se soubessem enganar…….
Subscrever:
Mensagens (Atom)



